Despojo Vociferado

by Saraband

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about

Entre as ruínas de 17-07-2011 e 24-02-2013.

credits

released January 3, 2014

Gravado entre Fevereiro e Julho de 2013.
Produção: João Sousa
Mistura: João Sousa e DV
Artwork: JPMArts

Composição e interpretação por DV excepto:
#3 - "Dia 588" (João Sousa, Electrónica)
#5 - "Estirando as Tormentas" (João Sousa, Bateria)
#7 - "Cultura Parasita" (João Sousa, Bateria)

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Uma saudação com sabor de eterno: um adeus.

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Track Name: A Sarabandear Por Fim...
E neste baloiçar lento,
Vou-me derivando ao som...
do descompasso.
Track Name: Nomenclatura A Evolar
Há algo na minha cabeça
a tentar sair; algo que me voa
Correndo para deixar de existir,
espalhando-se para ficar.

Numa dança lenta e pesarosa,
para sempre num indício de prosa.

Neste funeral:
- que acontece no meu corpo,
as células elevam-se em ciência:
- de parasitismo,
Talvez nem sejam elas que se perdem:
- num momento.

Talvez no fim do tempo se encontrem
em castrantes circunstâncias da temática:
- de esquecer.
Track Name: Dia 588
Faz muito tempo que não sou
e me sinto apenas uma eloquente tragédia.
A falar sobre um luto de uma dor lavada qual diamante bruto.

Faz tantas vidas que me beijou o enfermo,
num ciclo de tempo sem curva
que se enamorou d'alma e teima em não me deixar.

Tudo à minha volta parece clausura
e de onde veio esta tortura:
Só não o vejo dormindo...

Um aconchego no peito,
relança-me o pesar.
Contorcendo-se em torpe agouro,
das volúpias arenosas do cansaço.
Fosco e doloso nas passagens pelo quarto cintilante:
- que nos foi apagando.

Diz-me algo para sempre,
impossível de se conservar em movimento:
Há algo neste momento que não é meu, não é teu...
É nosso.
Track Name: Clarividência Indefectível
Restando um ímpeto cessante
que abandona os pés à vontade de se saturar.

A caducidade mórbida da altivez,
numa despedida e já em plena diafaneidade dos toques.
Sob um sol abrasador de penumbras,
conquisto o futuro em espasmos.

Solto o tempo num recuo beijado,
pedindo em troca do sacrifício um vislumbre:
de verdes prantos no artifício dos reflexos.
Eclosão de memórias negadas,
em retumbantes exalações do que se despedaçou.

Cai sobre mim todo o negar do mundo,
a recusa tangida do que sou.
Privilégios amaldiçoados do vindouro:
a arte chorada como propósito.

(Não me olhes assim;
Perdão, só contemplo o que resta)
Track Name: Estirando As Tormentas
Repele-me o metal dos lábios,
esse estrangeirar que impuseste - à minha memoria.
Invólucro transtornado por intenções desadequadas.

Conquisto o nojo pela tentação,
fetichismo da ferida aberta.
Toco-te num entrelaçar de afecto horroroso.

Roço-me novamente em contactos proibitivos,
num permitir ingénuo e piedoso que se abre:
a uma súplica embusteira e crua.
Cristalino na nescidade de germinar na cova.

Acto gorado - gretando ânsias,
Tumultos mudos e gritos escravizados.
Continuidades pasmas de fim,
em sobreposições letárgicas dum corpo:
- em suspenso estado terminal.

"Nunca te devias ter trazido aqui..."
Track Name: Descarnar De Almas
Deixa a ferida fechar:
quero sarar agora.

Terei todo o espaço do mundo,
e respirarei na indiferença.

Posso até curar-me e transcender.
Mas enquanto o pó for pó,
e a carne latejar:
- haverá o nosso (um?) refúgio de dor,
qual obra cega de anoitecer.

Daqui não existo mais,
e é assim que me quero...
e é assim que te quero.
Track Name: Cultura Parasita
Não quero ser de companhia.